Era uma vez...




Era uma vez...
Era assim que meu pai me fazia dormir todas as noites, contava histórias lindas e cheias de ensinamentos que até hoje são extremamente úteis na minha vida.
Hoje eu quero contar uma, bem atual, para minha neta Bruna, que, na fase de pré adolescente, meio menina e meio mulher, me pede ainda para fazê-la dormir contando histórias,,,
Era uma vez um reino longínquo muito lindo, na beira de um grande lago que, conforme contava a lenda, era habitado por estrangeiros que para lá se mudaram em busca de uma vida melhor, de trabalho e de felicidade.
Nesse reino, havia um velho Rei, que era amado por seu povo, porque lutava para que cada um dos seus súditos tivesse sua casinha, comida na mesa e lugar para trabalhar. Ele era feliz, e sua corte só tinha palavras de admiração para com o monarca. O rei casara-se cedo e teve quatro filhos, três belas meninas e um principezinho que era o encanto de seu pai. Conta a lenda que a criança era tão linda que as bruxas da região, preocupadas com tanta bondade e beleza, fizeram um grande feitiço, e o jovem príncipe dormiu e nunca mais acordou.
Os anos foram passando, e a única preocupação do Rei era encontrar alguém para substituí-lo, capaz de fazer o povo feliz. Sabia que era difícil encontrar um substituto que pensasse como ele, que entendesse que as obras no reino eram importantes, mas que as pessoas eram mais importantes ainda.
Depois de muito refletir enviou emissários por todo o reino anunciando que ia viajar para bem distante, e que, como estava velho, queria já escolher o novo rei, e iria deixar o trono para um sucessor que fosse humilde, bom e leal.
Centenas de nobres vieram de todos os recantos, e ali ficavam, perto do rei, que atentamente procurava o seu herdeiro. Dentre eles, um jovem, o Conde Pino Chio, chamou sua atenção pela ousadia e pela humildade; ele não tinha vergonha de pedir perdão por um erro cometido, mesmo que fosse em público. De família nobre, mas arruinada, ele não tinha grande influência na Côrte, mas apegara-se de tal forma ao velho Rei que muitas vezes a Rainha o chamava de "Sombra de Sua Majestade".
Ali ficava ele, horas e horas, bebendo as palavras sábias do monarca, e, pouco a pouco, foi sendo chamado pelo Rei para assumir postos de relevância na Corte.
O Rei tinha inúmeras qualidades, mas, como todo mortal, gostava de ser reconhecido e admirado. Logo o jovem nobre percebeu o ponto fraco do Rei e começou a lhe fazer grandes elogios, sempre defendendo e mostrando a todos o quão sábio e valoroso era. Em pouco tempo, era o primeiro ministro, e, apesar de reconhecer algumas falhas no caráter do jovem nobre, o Rei o ungiu como o Novo Monarca e viajou para bem distante.
Assim que se viu livre da presença do velho Rei, Pino Chio, de cetro e coroa na cabeça, começou a mostrar quem realmente era.
A primeira coisa que fez foi falar aos quatro ventos que o antigo Rei devia para todos os reinos da vizinhança, que era desonesto e que tudo que ele fizera estava errado.
Assim começou a reinar, semeando ódio e discussão, falando mal do rei que o havia levado ao trono. Chamava a atenção de seus nobre na frente do povo, trocava de rainha todo ano e, sempre que tinha chance, soltava palavras de baixo calão. Mandou destruir as casas dos súditos pobrezinhos, enviou milhares de pessoas para fora do reino, retirou os vendedores das feiras deixando-os na miséria, proibiu todas as carruagens do reino que não eram da nobreza de trafegar. No entanto, as obras de grande porte eram inauguradas todos os dias, parques, jardins e edifícios suntuosos eram as suas preferidas. Achava que o povo ia esquecer as suas maldades e que, com as abras que fazia, iria reconhecer a sua genialidade. “O povo tem memória de galinha” - dizia rindo, e contiuava sua tragetória sem se incomodar com a opinião de ninguém.
Naquele lugar, outrora alegre e feliz, só se ouvia o clamor do povo, que, escondido chorava as perdas sofridas e sentia saudades do antigo Rei.
Certo dia, o povo se reuniu, vendeu algumas propriedades e foi atrás do antigo Monarca e o trouxe de volta, expulsando para sempre o Pin Ochio do Reino.
Moral da historia: O povo não tem memória de galinha. Reina quem o povo quer!

MCNetto
09/09/2009